Sobre a vingança do Jeremias Muito Louco
Talvez isto soe politicamente incorreto, mas os bêbados, ao menos uma parte deles, são grandes figuras. Coloque-os ao lado dos loucos, dos poetas e dos palhaços, e forme quartetos no mínimo intrigantes.
(Quero deixar claro que “ser uma grande figura” não significa necessariamente estar certo sobre nada).
Em 2005, um programa policial entrevistou um cara que viria a se tornar o bêbado mais conhecido do Brasil: Jeremias José do Nascimento. Na delegacia, embriagado, ele soltou a famosa frase: “o cão foi quem botou pa nós beber”.
Corajoso, como costumam ficar os adeptos do álcool, ameaçou o delegado. E, a pedido do repórter, cantarolou um trecho de um velho sucesso de Ovelha, cujos versos dizem “sem você não viverei”.
Alguém, não digo que foi o cão, botou a reportagem no YouTube, transformando-a num dos vídeos mais virais do País. E outro alguém, também não digo que foi o cão, convenceu “o caba” a entrar na justiça contra dez empresas de comunicação.
O que eu acho disso tudo?
Acho, sim, que a matéria explora e humilha a imagem de Jeremias. Ele foi, sim, usado por jornalistas para simplesmente aumentar a audiência. Se você discorda disso, pense como se sentiria se, ao invés dele, fosse você dando aquela entrevista.
(Outra pergunta: por que não fazem uma matéria destas com um bebum ricaço da high society?)
Por outro lado, particularmente, não achei que ele se humilhou. Veja bem o que estou dizendo: EU não o considerei humilhado. Isto quer dizer que EU não formei uma imagem negativa dele porque ele deu aquela entrevista naquelas condições. Outras pessoas podem ter interpretado assim, mas eu não. Diante de mim, para o meu juízo, e falo somente por mim, ele não perdeu dignidade por isso. Ficou claro?
Por último, repasso para vocês esta indagação de Sandro Fortunato: O Jeremias ficou realmente sóbrio, “Ou só está sendo SUPOSTAMENTE usado por advogados como foi SUPOSTAMENTE usado pelo jornalista (??!)”.
Sei não... Mas, não sei porque, o caso me lembrou vagamente disto aqui.
Escrito por Thiago de Góes às 11h59

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